Para quem é este curso
Este curso foi escrito para quem trabalha dentro da máquina pública e precisa decidir, na prática, o que fazer com inteligência artificial. Servidor municipal que responde ofício, monta edital e atende o balcão. Servidor estadual e federal que analisa processo, instrui parecer e responde a órgão de controle. Terceirizado e contratado que sustenta a operação do dia a dia. Assessor de gabinete, membro de conselho e quem trabalha em organização que lida com o poder público todas as semanas.
Não é um curso para quem quer programar modelos de linguagem, e não exige nenhuma formação em tecnologia. O que ele exige é que você conheça um processo de trabalho real do seu órgão, porque é sobre ele que os exercícios acontecem. Quem nunca abriu uma ferramenta de IA consegue acompanhar do começo ao fim. Quem já usa há meses encontra aqui o que raramente aparece em tutorial: o que a lei brasileira permite, o que o controle externo vai perguntar depois e onde a ferramenta erra de um jeito que parece certo.
O que você sai sabendo fazer
Ao final do curso você consegue, sozinho e sem depender do setor de tecnologia:
- Escrever instruções que produzem um texto administrativo utilizável na
primeira ou na segunda tentativa, em vez de um rascunho genérico que dá mais trabalho corrigir do que escrever do zero.
- Identificar em qual etapa de um processo do seu setor a IA economiza tempo de
verdade, e em qual ela apenas transfere o esforço para a revisão.
- Reconhecer alucinação: o momento em que a ferramenta inventa um número, uma
jurisprudência ou um artigo de lei com a mesma confiança com que acerta o resto.
- Decidir que informação pode e que informação não pode ser colada numa
ferramenta de terceiro, com base na Lei Geral de Proteção de Dados e na classificação de sigilo do documento.
- Escrever uma nota de uso responsável de IA para o seu setor, em uma página,
que sobreviva a uma pergunta do controle interno.
- Registrar o uso de forma auditável, de modo que outra pessoa consiga
reconstituir depois como aquele texto foi produzido.
Não prometemos que você vai automatizar o seu setor. Prometemos que você vai saber separar o que a ferramenta faz bem do que ela só finge fazer bem — e essa separação é a competência que falta na maioria das equipes hoje.
Ementa
Módulo 1 — O que a ferramenta faz, e o que ela apenas parece fazer
Como um modelo de linguagem produz texto, explicado sem matemática e sem metáfora enganosa. Por que ele acerta a forma de um parecer e erra o número de um processo. A diferença entre recuperar informação e gerar texto plausível, que é a origem de quase todo erro grave no serviço público. Demonstração ao vivo de alucinação em consulta jurídica e em citação de norma, com a checagem que a teria pegado.
Módulo 2 — Instrução que funciona em contexto administrativo
A estrutura de uma instrução útil: papel, contexto, insumo, formato de saída e critério de aceitação. Por que pedir "escreva um ofício" produz texto inútil e por que fornecer o modelo do seu próprio órgão muda o resultado por completo. Refinamento em rodadas, em vez de tentar acertar tudo de uma vez. Biblioteca de instruções do setor: como transformar o que deu certo em patrimônio da equipe e não em conhecimento de uma pessoa só.
Módulo 3 — Dados pessoais, sigilo e a LGPD na prática
O que muda quando o texto colado contém nome, CPF, endereço ou dado de saúde. A diferença entre dado pessoal e dado pessoal sensível, e por que ela altera a decisão. Bases legais aplicáveis ao tratamento pela administração pública e por que consentimento quase nunca é a base correta no setor público. Descaracterização antes do uso: o que funciona, o que é ilusão de anonimato e como testar. Contrato, termos de uso e a pergunta que ninguém faz ao fornecedor: o que acontece com aquilo que você enviou.
Módulo 4 — Onde aplicar primeiro, e onde não aplicar nunca
Mapeamento de processos por retorno e por risco. Tarefas de baixo risco e alto volume — resumo de documento longo, padronização de resposta recorrente, tradução de linguagem técnica para linguagem cidadã — e por que elas devem vir primeiro. Tarefas que não devem ser delegadas: decisão discricionária, dosimetria, juízo de valor sobre pessoa, qualquer ato que produza efeito jurídico direto sem revisão humana identificável. Estudo de caso de um município de pequeno porte, do diagnóstico ao primeiro resultado publicado.
Módulo 5 — Governança que cabe numa página
Como escrever a nota de uso responsável do seu setor. Quem aprova, quem revisa, quem responde. Registro mínimo para auditoria: o que guardar, por quanto tempo e em que formato. Transparência ativa: quando informar ao cidadão que houve uso de IA na produção de um documento. O que responder quando o Tribunal de Contas, a Controladoria ou o Ministério Público perguntar. Modelos prontos para adaptar, todos publicados em licença aberta.
Como o curso acontece
O curso é assíncrono. Você estuda no horário que conseguir, sem aula ao vivo e sem encontro marcado. Todo o material fica numa turma do Google Classroom criada pelo Instituto, e é por isso que a inscrição exige uma conta Google — pode ser a conta pessoal gratuita, não precisa ser a do órgão.
Cada módulo tem leitura, um exemplo comentado e uma atividade prática aplicada a um processo do seu próprio trabalho. As atividades não têm nota. Elas existem porque a competência aqui é prática, e porque é a entrega delas que o sistema lê para saber que você concluiu.
Carga horária e critério de conclusão
A carga horária declarada é de 20 horas, distribuídas entre leitura, exercícios e a produção da nota de uso responsável do seu setor. Esse é o tempo estimado de dedicação, não um cronômetro: o Instituto não mede tempo de permanência do aluno e não afirma horas que não teria como comprovar.
A conclusão é objetiva e verificável: você conclui o curso quando todas as atividades publicadas na turma estiverem entregues. Não há prova final, não há nota de corte e não há avaliação subjetiva. O sistema confere as entregas uma vez por dia; no dia seguinte à última entrega, o certificado é emitido automaticamente e chega ao seu e-mail.
O certificado
O certificado é gratuito, hoje e sempre. O Instituto IAcreditar é uma organização sem fins lucrativos e não cobra pela formação nem pela emissão do documento.
Ele traz o seu nome completo, o órgão e o vínculo que você declarou no cadastro, o nome do curso, a carga horária, o período entre a matrícula e a conclusão e a data de emissão. Traz também um código de verificação de oito caracteres e um QR Code.
É esse código que torna o documento conferível sem intermediário. O setor de recursos humanos do seu órgão abre a página de validação, digita o código e vê os mesmos dados na tela, sem login, sem cadastro e sem precisar escrever para o Instituto. Um certificado que o RH não consegue conferir sozinho não vale nada para quem o recebeu, e foi por isso que a validação pública veio antes de qualquer outro recurso da plataforma.
O certificado não tem prazo de validade e não precisa ser renovado.
O que você precisa
Uma conta Google, gratuita, para acessar a turma no Google Classroom. Um computador ou celular com navegador e conexão. Nada mais: não há software para instalar, não há licença para comprar e nenhuma das ferramentas usadas em aula exige plano pago.
Se você ainda não tem conta Google, crie uma antes de se inscrever — o convite da turma é enviado para o endereço da conta com que você entrar aqui.
Perguntas frequentes
Preciso trabalhar no serviço público para me inscrever? Não. O curso é aberto a qualquer pessoa e o certificado é o mesmo. O conteúdo, porém, é inteiramente construído sobre situações da administração pública.
O curso tem vaga limitada? Enquanto a turma estiver aberta nesta página, a inscrição é imediata e não há fila, seleção nem lista de espera.
Preciso entrar em algum grupo de mensagens? Não. Cada turma tem um grupo opcional, informado depois da inscrição. Entrar nele não afeta o acesso à turma, a conclusão nem o certificado.
Quanto tempo tenho para concluir? Não há prazo. A turma permanece aberta e você entrega as atividades no seu ritmo.